terça-feira, 8 de setembro de 2015

13 centavos - Rasgo Noturno

(Foto: Henrique  Suzuki)

Rasgo Noturno é um termo criado pelo Jorginho. Osasco sempre foi uma cidade dormitória e ao chegar o final de semana a turma toda se mandava pra São Paulo onde a noite fervia. Quem não tinha grana ou não queria dormir nas ruas de Sampa ficava por Osasco, normalmente indo curtir na Pedro Fioretti. O Jorge batizou esse role por Osasco como Rasgo Noturno. Na volta do Rasgo Noturno era comum ficarmos tocando e fazendo música até o raiar do dia, e em uma dessas voltas descrevemos o Rasgo Noturno.

Rasgo Noturno 

(Douglas/Dráusio)

São dez para as oito
Quem tem carro 
Quem tem grana 
Saiu pela noite
Prazer produzido
Saiu a comprar novidades 
Comprou seu programa 
Comprou sua menina
Comprou o que tinha vontade
Saiu pela noite
Prazer produzido 
Comprou toda mediocridade 

São dez para as oito
Quem tem carro 
Quem tem grana 
Saiu pela noite
Prazer produzido
Saiu a comprar novidades 
Comprou seu programa 
Comprou sua menina
Comprou o que tinha vontade
Saiu pela noite
Prazer produzido 
Vivendo da vaidade

Rasgo Noturno 
Vontade de tudo 
Período diurno 
Num céu todo escuro 
Rasgo noturno 
Volúpia vital
Podre sentido 
Inútil e banal

São dez para as oito 
E quem não tem grana 
Não vai muito longe daqui 
Foi dar umas bandas 
Num rasgo noturno
Tomou uma overdose de si



quarta-feira, 26 de agosto de 2015

12 centavos - Avenida Paulista

Inspirado no cenário rock dos 80, surgiu Avenida Paulista. Ainda não era nome de novela mas como sempre, inspirava os escritores. Esta é mais uma cria da Reverendo 133, e lembro que nesse dia passaram por lá um mundaréu de gente. Se estiver sendo injusto com alguém me avise mas que eu lembre esses são os autores.

Avenida Paulista
(Dráusio/Douglas/Paulo Netho/Eron Meira)

Homem de lata
Mistura de fineza
Hipocrisia
Muita Gravata e ironia

Nada aparece
Num rosto tão vazio
Disciplinados
Seres iguais vão lhe seguindo

Vestindo estátuas
Vão os paletós
Em passos rápidos
À apressar o tempo 

Feito presas fáceis 
De sua ambição
Transam com medo a emoção

Mas tudo acaba 
Depois que o nó desata
Ele não finge mais
Mas já esqueceu como seria



sábado, 15 de agosto de 2015

11 centavos - Samba

Um daqueles finais de relacionamento onde a dúvida é constante mas como tudo nesse pais acaba em Samba. Essa música também ficou conhecida como "Chega".

Samba
(Dráusio)


Chega
não quero mais os seus beijos
Chega
de alimentar seus desejos
Gritos
deixe que eu xingue a mim mesmo
Pingo 
chorar por ti não compensa

Só fui feliz
até te ter
te amei de mais
não sei pra que 

Pro nada
eu não te nego uma chance
Pra já 
quem sabe um novo romance

Quem sabe um daqueles
no pique da Globo
passeios na fonte
beijos na chuva

Que lave o passado 
me roube esse medo 
bem mais do que grande
que venha atiçar meu desejo de tela 

Chega 
não quero mais seu segredo 
Chega 
vou fazer um samba enredo 


quarta-feira, 5 de agosto de 2015

10 centavos - Paixão

As vezes é necessário um titulo que explique o que se escreve, ou de um texto que explique o título?

Paixão

(Dráusio)

Lento 
Volto a tona
Deslizo 
Quase não caio
Distraio
Sem me conter
Confesso
Só pode ser
Canto sim
Bem sei 
Te ler
Eu vivo

quarta-feira, 29 de julho de 2015

09 centavos - Sol da Noite

Admirando a força que o Sol tem quando se esconde na época em que trabalhava pelos bares da vida.


Sol da Noite 

(Dráusio)


Luz
Tanto sonho 
Carregando o sono
Vida que vai
Pela noite
Com meu bando 

Vagando em copo
O bar cidade
Ébrio em pessoas
Luz do sol

Cor na vida
No meio da rua
Vem 
Luz seduz
Nos conduz
Sol da Noite

Sol existe 
No brilho da lua
Sol fagulha
Aquece a canção

Na boca da Noite
Começo do dia 
Vem 
Sol poesia
Sol da Noite
Sol você
Magia


quarta-feira, 22 de julho de 2015

08 centavos - Talo de Capim

Talo de Capim

(Eron Meira/Dráusio)


Aonde você tava?
Aonde você tava?
Eu não tô nem ai

Mas sei que você tava
Mas sei que você tem 
Transado por ai

É que você tem 
Preso no chinelo
Um talo de capim
Eu já vi

Aonde você tava?
Aonde você tava?
Eu não vou distrair

Vê se trás uma desculpa
Dessas que nunca usou
Esse papo é antigo
Você nunca me enganou

Eu vinha do trabalho 
Tive que cortar caminho
Desde quando eu sai 
Confesso que estou sozinho

Desculpe meu amor
Eu não quis desconfiar
É que a falta de você
Me fez imaginar

sexta-feira, 3 de julho de 2015

07 centavos - Longe ...

Conheci o Paulo Netho lá pelos oitenta e não sei quanto. Num dia estava acho que no Sentinela (Espaço do Carlos Marx), nos encontramos e fomos comer um cachorro quente na porta do Clube Atlético. Eu iria para Puruba (uma praia em Ubatuba) no dia seguinte e o Paulo me presenteou com o seu Livro Feijão Arroz e Poesia, recém lançado em 1983. Em Puruba entre uma ressaca e outra estava lendo o livro e tinha mania de pegar o violão e ir lendo e tocando quando me deparei com o poema. A música foi saindo como se já estivesse lá e assim aconteceu a primeira parceria com o Paulo abrindo a porta pra outras que vieram e virão. Realmente foi o "Instante um de muitos outros".


Instante um de muitos outros (Longe)
(Poesia de Paulo Netho/Música de Drausio)


Longe 
Entre uma frase e outra
Entre o verbo estar
E querer amar

Longe
É muito perto 
E as vezes é distante
Do afeto

Longe 
É uma canção que existe
Fazendo barulho 
No tempo

De repente
Vai no vento 
E volta 
No vento

Longe
É a solução do falso Lutador
E gigante é aquele 
Que vive como monge
E varre esse lugar
Que os fracos chamam 
Longe