domingo, 24 de dezembro de 2017

Aperte o cinto e siga o fluxo de 2018



Poderia dizer que 2017 foi um ano no mínimo inquieto.

E nessa inquietude teve amigo que se foi, teve amigo que chegou, teve amigo que quebrou, amigo que enricou e até amigo que emplacou. E é nessa calmaria que o ano está por acabar e digo está por que ainda pode acontecer algo nesses últimos dias ou sei lá horas desse inquieto 2017.

Outro dia estava lendo uma matéria nas colunas de ciências cujo o tema era: as coisas que a ciência tem dificuldade de explicar. O que me chamou a atenção e me fez prolongar a leitura foi encontrar a Turbulência como sendo uma das principais coisas sem explicações. Deparei-me com a frase atribuída a diversos cientistas, porém de autoria desconhecida, que resume bem o que se sabe sobre o fenômeno: “Quando eu encontrar Deus, eu vou fazer duas perguntas para ele: por que a relatividade é tão complexa e como se explica uma turbulência. Deus terá uma resposta para a primeira”. E ai fiquei muito intrigado com a complexidade da Turbulência que resolvi dar uma pesquisadinha sobre o tema que faz com que os físicos só esperem a compreensão na resposta do criador.

Não sou físico e nem tenho a pretensão de sê-lo e por isso peço desculpas antecipadas pelas bobagens técnicas que posso vir a escrever.
Um exemplo que peguei em uma matéria no site da BBC Brasil me fez achar que entendi o que acontece: “O movimento feito pela água em torno do pilar de uma ponte que atravessa um rio de forte correnteza é um exemplo perfeito de turbulência.
As moléculas na água começarão a bater no pilar e, por sua vez, contra si mesmas. Uma série de movimentos é então produzida com uma variedade de direções e velocidades.”
No que entendi sobre turbulência, seja dos fluidos, do ar, quântica, ou qualquer outra percebida por nós, ela se da quando ha uma bagunça nos fluxos, algo como aquelas cenas do trânsito na Índia ou ainda em Curitiba ou Cuiabá, ou seja, é um movimento desordenado, um carro que vira sem dar seta. Poderia todo mundo seguir o fluxo mas tem uns malucos que cismam de bater no pilar e saem por ai, sem dar seta, mudando de direção pra tudo quanto é lado. Alguns por ideologia, outros por serem induzidos ou ainda os que vagam sem razão alguma.

Me observando e observando as pessoas penso no quanto a vida anda turbulenta. Antigamente as pessoas acordavam e já tinham as suas tarefas. Acordavam, se lavavam, tomavam café, saiam pras suas atividades, paravam para o almoço, voltavam pra suas atividades, chegavam em casa, banhavam-se, jantavam e dormiam. O Radio e depois a Televisão, incluíram novos elementos a esse fluxo: Hora do Brasil, Hora da Novela, Jornal Nacional, entre outros, mas mantiveram um fluxo seguido pelas famílias. E como estávamos todos no mesmo sentido no fluxo, não havia turbulência. Hoje almoçamos em restaurantes, assistimos séries cada um a sua; na sua hora; em qualquer lugar, conversamos com amigos no serviço; na escola; no restaurante; no banheiro; nas férias e desrespeitamos qualquer fluxo que possa ser imposto a nossa vida. Em outras palavras vivemos em turbulência a todo momento. Independente de rotina, em nosso fluxo, havia tempo pro trabalho, família, amigos, lazer e descanso. Os fluxos eram mais harmônicos, não havia tanta colisão.

Claro que o mundo se reinventa nos conflitos e que o cotidiano tão bem retratado por Vinícius de Moraes e Chico Buarque, pode ser entediante e que mesmo tendo um violão é do ser querer se arriscar tal qual o messias do fundo do rio retratado em Ilusões de Richard Bach. 

Não quero explicar a turbulência pois afinal não sou físico, muito menos o criador. Queria apenas nesse momento pit-stop da vida, que é o final do ano, te desejar ou ainda, pedir que mesmo de vez em quando possamos retomar o fluxo para nos encontrarmos no mesmo sentido por algum tempo em vez de nos esbarrarmos feito moléculas malucas na turbulência do dia a dia.

Boas festas e que 2018 seja de voo estável em céu de brigadeiro.



segunda-feira, 6 de novembro de 2017

41 centavos - Diminutivo

Diminutivo

(Drausio)




Que diminui, diminui as coisas
é pro que serve o diminutivo
já ensinou o velho Aurélio

E não sei por que profetizas
Pois aumentar parece ser
Rejeitar Cornélio

E no seu texto sempre transcrito
Aumenta tudo me tirando a razão

Veja como é bonitinho
Esse céu todo limpinho
Essa brisinha no seu rosto
Estrelinhas brilhando de montão

Um passarinho ou um gatinho
Um cheirinho ou um beijinho
A menininha num sorriso
Uma florzinha em botão

Porque então
Engrandecer pequenas coisas
Distorcendo o que nem viu
Vou repetir pra não ter dúvidas

Foi só uma saidinha
Pra dar uma passadinha
Naquela bodeguinha
Pra tomar uma cervejinha
Encontrei uma amiguinha
E demorei na conversinha
Aí dei uma atrasadinha
Mas não demorei muito Não

Então esquece o ciuminho
Desmancha esse beicinho
Vem cá trocar carinho
Que eu não fiz nada de grandão

segunda-feira, 30 de outubro de 2017

40 centavos - Homotaxonomia



Homotaxonomia

(Drausio)


No pré-principio Deus se criou,
O mesmo Deus que fez os céus e a terra
Que fez de tudo até cabra que berra
No sexto dia fez o homem e se cansou

O homo habilis
O homo erectus
O homo sapiens
que sabendo que sabe
em reino, filo, família e espécie
tudo que é vivo classificou

Meta, metá,
Metanogênica
Homotaxonomia
Abiótica

No pós principio o homem se superou
Nessa mania de ver tudo em classes
Rachou o mundo até chegar no impasse
Onde é que eu fico e o que é que sou

Sexo, política,
dinheiro, raça,
peso, tamanho
e até na crença
tudo que via tinha diferença
Classificando, o homo sapiens se segregou

Meta, metá,
Metanogênica
Homotaxonomia
Abiótica

sábado, 24 de dezembro de 2016

Dois mil e uns dezesseis ...


Eita 2016 pesado!

O Ano começa com uma notícia muito triste pra mim e pra muitos amigos, que foi o fechamento da Corneta. Trabalhei boa parte da minha vida por lá, seja como funcionário ou como fornecedor e tinha um grande respeito pela empresa. Ali me sentia em casa.
Logo depois perdi meu amigo Fritz (ex-proprietário e presidente da Corneta). Aprendi muitas coisas com o amigo que todo ano me ligava no aniversário e eu retribuía a ligação no Natal. Nem me lembro a quantos anos isso se repetia, mas foram mais de uma década.

Além das tragédias diárias ou ainda as conjuntas que o ano nos apresentou, “Seo” Calixto resolveu partir para outra missão na véspera do dia dos pais e antevéspera do meu aniversário.
Meu pai como bom filósofo sempre me incentivou a investigar e pensar sobre os fundamentos ou essências da realidade circundante e não consigo mais terminar o ano sem refletir sobre eles.

É natural no ser humano a necessidade de classificar. Seja objetos, pessoas, natureza, espíritos...Tudo nessa vida é classificado. Acredito que o homem só consiga entender as coisas quando as separa em partes e assim também o fez com o tempo em séculos, anos, meses, dias, horas, minuto, segundos… entre os vivos e os mortos, o que começou e o que acabou, ou seja, o homem classificou a vida. 

Quando chega a mudança de classe 2016 para classe 2017, fico pensando o quanto fomos classificados nos últimos tempos, em especial no Brasil. 

Nesse período de turbulência, criou-se as classes dos “coxinhas” e a dos “mortadelas”, criou-se a classe dos “petralhas” e a dos patos. Se tornou gritante a existência dos corruptos e principalmente a dos “políticos corruptos” (para muitos classificada como pleonasmo). Ressurgiu a já conhecida classificação entre sulistas e nordestinos, relembraram da classe dos militares, da classe dos reacionários, a classe dos cassados, a classe dos golpistas e dos “impichados”, entre outras tantas. 

Realmente se tivesse que classificar 2016 diria que foi o ano das Classificações!!!

Sendo a classificação o ato de dividir/separar em classes, ou melhor em conjuntos que se assemelham ou tem a mesma função, não encontrei nas definições nada que o levasse a esse sentimento de separação que a vida tem me dado. 

Mesmo na separação física das pessoas que se foram, continua um lado bom na lembrança das coisas vividas, não só das que classificamos como boas mas também das classificadas como ruins ou tristes.
Mas não me refiro as “perdas” que tive, me refiro ao sentimento de separação dos amigos num mundo classificado. Me refiro a essa proximidade que existe entre os substantivos classificação e segregação. Porquê mesmo não sendo sinônimos a cada dia me parecem sê-los.

Me parece que essa divisão de pensamentos, essa classificação do lado direito ou esquerdo, vem resultando cada vez mais em segregação. E podemos extrapolar o assunto indo para religião e seita, raça, opção sexual, poder econômico, etc. Fico pensando até que ponto classificamos ou segregamos, o próximo, os familiares ou os amigos?

Na vontade de juntar os classificados que foram segregados, desejo ao Todo, ou a todos, um 2017 único e repleto de harmonia, com todos juntos e misturados nessa alegria que é a vida.

Boas Festas!

Opa!? Ia me esquecendo: e com meu Corinthians Classificado!

quinta-feira, 13 de outubro de 2016

39 centavos - Bicho da Goiaba

Bicho da Goiaba 

(Eron Meira/Drausio)


Essa boa
Aquela ali é assim
Eu fico assim, meio assim
Porque a boa
Do outro lado tem bicho
Goiaba linda vai pro lixo

É tanta fruta que traduz a mulherada
Só de falar já virou até piada
Quesito peito já te dá a dimensão
Tem moranguinho, tem a pera e até melão.
Tem bunda jaca, tem laranja e companhia
Forma e textura tem até a melancia
Na rebolada o jambolão já cadencia

é fruta a beça
é mangaba
não interessa
não engana
se a cabeça
é de banana

Essa boa
Aquela ali é assim
Eu fico assim, meio assim
Porque a boa
Do outro lado tem bicho
Goiaba linda vai pro lixo

sábado, 27 de agosto de 2016

ESPN e a estatística burra

Hoje pela manhã acordei com a seguinte matéria no UOL.

http://espn.uol.com.br/noticia/625677_em-que-lugar-campeoes-de-publico-do-brasileiro-ficariam-nas-grandes-ligas-da-europa





Confesso que nunca vi uma coisa tão idiota como essa.

Essa matéria compara a média de publico nua e crua entre os times europeus e os brasileiros. Realmente uma asnice que não tem tamanho.

Sendo assim resolvi fazer uma asnice ainda pior: Confrontar a média de publico com a capacidade do estádio e verificar como fica.


Time Média Capacidade Média pela
Capacidade
Pela
Capacidade
Pela
Média
Bayern de Munique 75000 70000 107,14%
Borussia Dortmund 81178 80552 100,78%
Schalke 04 61386 61482 99,84%
Werder Bremen 40935 42358 96,64% 11º
Hamburgo 53700 57274 93,76%
Stuttgart (rebaixado) 51983 55896 93,00%
Eintracht Frankfurt 46676 52300 89,25%
Hannover (rebaixado) 41246 49951 82,57% 10º
Colônia 48676 61000 79,80%
PALMEIRAS 32242 43600 73,95% 10º 12º
CORINTHIANS 31937 47605 67,09% 11º 13º
Hertha Berlim 49704 74228 66,96% 12º
Borussia M'gladbach 51715 80552 64,20% 13º

Fiz a minha comparação só com os principais times e veja que existe uma pequena evolução na posição de Palmeiras e Corinthians, os melhores colocados de acordo com a média.

São duas comparações idiotas mas veja que o Weder Bremen sai de 11º para 4º e se levarmos em consideração que os dois brasileiros possuem arenas pequenas e jogam em campos ainda menores pelos campeonatos sendo que a torcida só vai ao jogo onde o time tem o mando, imagino que essa análise estatística traria um outro resultado se ainda olhássemos somente os jogos como mandante.

Pois é, a Média Aritmética é burro, como muito já se disse se pular num rio que tem em média 1 metro vc pode estar mergulhando numa profundidade de 30 centímetros ou de 3 metros, se o corpo esta em uma temperatura de 37 graus pode ser que esteja com o pé frio e a cabeça fervendo.

Em se tratando de média há o que se ponderar!

E cuidado ao ler textos e pesquisas por ai pois podemos levar a interpretação para onde quisermos, principalmente nessa época de eleições.


domingo, 14 de agosto de 2016

38 centavos - Se você não quer ouvir


Se você não quer ouvir 

(Drausio)


Se você não quer ouvir
Não pergunte a minha opinião
Não toque no assunto
Não lave minha boca com sabão

Um caos
o inferno e algo muito abstrato
que fica longe muito longe, além
se quiser saber onde é de fato
basta você discordar de alguém

Se você não quer ouvir
Não pergunte a minha opinião
Não toque no assunto
Não lave minha boca com sabão

Em paz
É lá do peito que saem as besteiras
Mesmo que turvas em minha dúbia ótica
Exponho sempre em minhas bebedeiras
A minha Bipolaridade Alcoólica

Se você não quer ouvir
Não pergunte a minha opinião
Não toque no assunto
Não lave minha boca com sabão

No mais
o que te ofende não é o que falo
ficar com raiva é sua opção
se te incomoda por que não me calo
não me desculpo sem precisão

Se você não quer ouvir
Não pergunte a minha opinião
Não toque no assunto
Não lave minha boca com sabão