sexta-feira, 29 de abril de 2016

33 centavos - Ócio

Ócio

(Drausio)


Na felicidade de Lupicínio
Brindar o sossego num Tim Tim
Deitado na rede de Caymmi
Da qualidade desse time
Ao conforto que o nada traz pra mim
Proclamo que o Ócio é fascínio

Quero dar um salve pra De Masi
No ritmo que conserva as tartarugas
Desordenado tal Bocage
Brado no alpendre tomando aragem
Vendo a atividade contar suas rugas
Faço um nada com toda classe

Me diz ai Galego!
Quando for pra Jacumã me chama
Quero ir na Cada pra tomar uma cana
Deixar que o ócio passe a reinar

Quero a inspiração da santidade
Preparando o mundo para o sábado
Do ofício que quebrou o osso
Na labuta por um salário insosso
Vivendo a espera de um feriado
Quero a calma do fim da idade

Olhando as bundas com Lisboa
No balanço suave de Vinícius
Da calma que inicia o sexo
Num cigarro relaxo desconexo
Viajando nas brisas de outros vícios
É pro ócio que teço essa loa

Me diz ai Galego!
Quando for pra Jacumã me chama
Quero ir na Cada pra tomar uma cana
Deixar que o ócio passe a reinar

segunda-feira, 18 de abril de 2016

32 centavos - Canção Perdida

Canção Perdida 

(Poesia de Jhose Cordeirovich/Música Dráusio)


UMA BOCA
UM PEIXE DENTRO DELA
ENTÃO
UM NAVIO NO CENTRO
UMA BOCA DENTRO DELE
PRESTEZA DE INVENTO



UMA OUTRA
UMA NAVE NO CÉU
SENÃO
UMA VISÃO DO TEMPO
UMA BOCA DENTRO DELA
PRESTEZA DE INVENTO

DOIS CORPOS, TENS,
NUM ÚNICO INTENTO
VERSO, BOCA DENTRO
LUA BROWN NOITE TOWN
CANTO
CANTIGA
CATAVENTO



quarta-feira, 6 de abril de 2016

31 centavos - Pé

(Douglas/Dráusio)


Um pé na roça 
Um pé na Jaca
Um pé
Um pé na bosta
Um pé na bunda
Um pé
Um pé direito
Um é de cabra
Um pé no peito 
Um pé de vento
Um pé de anjo
Um pé de valsa

De pé, para aplaudir
Sem pé, pra prosseguir
A pé, lá vai um monge
Não muito longe alguém já deu no pé

Um pé na linha
Um pé na vinha
Um pé
Um pé na orelha 
Um pé nas costas
Um pé
Um pé de porco
Um pé de arvore
Um pé de boi
Um pé na estrada 
Um pé na porta
Um pé no altar

De pé, um ovo pede fé 
Meu lar, é onde estão meus pés
Meus pés, enfio pelas mãos
E neste pé, eu vivo aos pontapés