terça-feira, 9 de junho de 2015

05 centavos - Sonho de Ciranda

Esta saiu de um desafio no programa "É proibido colar" da TV Cultura que era apresentado pelo Antonio Fagundes e Clarice Abujamrra. Fomos participar pelo colégio PAPI e nos deram o desafio de fazer uma música com o primeiro verso que havia sido escrito por Celso Excel (de acordo com a produção do programa). Além do primeiro verso o ritmo definido para nossa equipe foi a valsa. Deu nisso:
 
Sonho de Ciranda
(Celso Excel/Drausio/Douglas)

A vida é uma ciranda
Todos juntos de mãos dadas
Ao som da minha banda
Na maior das gargalhadas

Sonho feito uma criança
Mentiras na sombra negra
Do seu dedo

Sonho torto
Silêncio na sombra
Rodopio o vento
Em paz
Me incomoda
E só quem viu palavras
Reconhece que já está demais

Espanta a magoa
Dentro da garganta
Explode o canto
Em tudo se trai
Se a luz vem da direita
É bem certo que pra esquerda vai


sábado, 16 de maio de 2015

04 centavos - Dizem de você


Dizem de você
(Drausio)

Dizem que você subiu no trem
Por esperar de alguém
Que como vaidade vai

Dizem que você pediu, pensou
Para dizer de alguém
Que como o trem também chegou

E dizem que você
Pensou para dizer
O que eu não sei
Mas as palavras doem

Só sei que vem de alguém
Pedindo pra dizer
O que dizem de você

Em cada sonho teu
Pensei em rir também
Mas a palavra bem
Não chega a alguém
Que como o trem também se foi

E dizem que você
Pensou para dizer
O que eu não sei
Mas as palavras doem

quarta-feira, 6 de maio de 2015

03 centavos - Um certo edfícil azul

Essa música foi composta na praia de Camburi divisa de SP e RJ. Olhando a beleza da praia espremida pela muralha da serra do mar o edifício da Dacon não saia da minha cabeça. A lembrança de passar todo dia na frente daquele edifício de concreto recoberto por vidro e de tom azulado inspirou essa "Construção do Fim", nome original da música que foi rebatizado pelo Charles Boavista ainda na década de oitenta.

Um certo edifício Azul
(Drausio)



Mata verde
Logo o sonho é marrom

Caem as árvores

Vem o cinza do concreto

De um certo Edifício Azul

Logo o que era de sapê

Se arma na cidade de concreto

Reluz pois ainda brilha na manhã

Aquele tal progresso

Diz que vive

Pois quem vive na cidade

Sabe o que passou

O que bonito

O que é progresso

O que arma na manhã

Quando é azul

Vermelho e amarelo

Desfilam pelo céu

À procura de uma nuvem branca

Que se perdeu na madrugada

Quando a lua prateada

Ainda andava pelo céu


Nascem as folhas

Quebra o mar na praia

Choram pela velha vida

Esperam do amanhã

Virá?

sábado, 25 de abril de 2015

02 centavos - Menina do Poeta

Inspirado por romances por carta surgiu essa música. Costumo dizer que hoje é uma Menina que virou senhora.

Menina do Poeta

(Drausio)

Enche a cabeça e o copo
De um líquido
Distorce palavra e ação
Deslize a navalha na face
E trace entre linhas a bela canção
O rosto macio a pele
Cabelos até o coração
Beleza nos olhos do poeta
Palavras passadas ao papel
A sua presença em carta
Aumenta a saudade
Meu sonho
Meu véu

A linha ondulante bordando sua face
Cortando vestindo seu rosto ao meu
O que fazes da vida, mendigas palavras
O que diz o poeta ao papel
Rouba na mente a certeza e a gente
Detalhas tudo que faz

Me intrica no sonho e no sono
Me envolve de forma
De quem já foi mais
Me encanta e ja neste canto
Me calo no entanto
Palavras atrás
Discorda do que já me disse
Existe silêncio entre nós
Relíquias num trago
Num traço
Indago, desfaço
Te gosto demais

Alinho a tristeza diante as estrelas
Te tomo, te trago na sua grandeza
O que fazes da vida, mendigas palavras
O que diz o poeta ao papel
Rouba na mente a certeza da gente
Me engole em tudo que faz




domingo, 12 de abril de 2015

01 centavo - História do Xúúúú!

Meu pai contava essa História quando éramos criança e um dia na Reverendo 133 eu e o Douglas resolvemos fazer esta música recontando essa História. A brincadeira rendeu o primeiro lugar no festival do Ceneart na década de 80, não lembro bem se 81 ou 82, na época com a Banda Trocadilho antecessora ao Subtotal.

História do Xú
(Douglas/Dráusio)

"Adiscendo" a ribanceira 
La perto da minha casa
Tropiquei naco de ferro
Me "alumiô" a ideia
Vou fazer uma bicicleta.

Acontece que esse ferro 
Não tinha nem qualidade
Não saiu a bicicleta
Era podre de verdade
Eu então mudei meus planos
Vou fazer uns três pianos

Acontece que esse ferro
Era um ferro fajuto
"Acheguei" perto do fogo
Não durou nenhum minuto
"Dantanhei" a rapadura
Vou fazer uma ferradura

Esse ferro era pouquinho
Não deu nem pra ferradura
Mas seu moço eu não me entrego
Eu agora faço um prego

Eita  ferrinho danado
Tem "catiça" de urubu
Como já to "perriado"
Eu agora faço um Xú

Lá no fim da ribanceira
Tem o rio caruru
Dei com o ferro quente n'agua
E o danado então fez Xúúúúú






terça-feira, 31 de março de 2015

50 centavos





A muito tempo, teve um cara que disse que eu não valia a roupa que eu vestia. Naquela época eu andava de roupa de saco e calça jeans surrada das mais vagabundas e com um bom e velho bamba.

Hoje continuo não valendo a roupa que visto mas com o passar dos anos confesso que tirei um pouco o pé da jaca. 

Acredito que daqui a pouco deva valer ao menos 50 centavos e sendo assim resolvi postar de hoje até o dia 15/08/2016, cinquenta letras de músicas que fiz em homenagem aos meus cinquenta. 

Aqui vai ter de tudo: poesia de amigos que musiquei, letras em parceria e próprias.

Tentarei dar uma certa cronologia, se a memória ajudar.

Aguardem pelo primeiro centavo.

Dráusio

PS. Como hoje em dia tudo pra ficar chique tem que ser projeto, taí o nome: Projeto Cinquenta Centavos. (Dimas me desculpe mas não resiste de usar o PS).



domingo, 15 de março de 2015

Cuidado para não ser conduzido pela serpente!




A você que esta indo ou foi as manifestações dos últimos tempos, a favor ou contra sei lá o que,  gostaria de fazer uma observação ou melhor uma sugestão. 

Vejo as manifestações e não consigo entender o real motivo das mesmas, mas se os motivos publicados são os reais acredito que estamos errando o foco. 

Independente das falcatruas atuais da Eva ou das do passado do Adão, não deveríamos focar na serpente?

Como convivo num mundo mais técnico normalmente me preocupo mais com o conceito do que com as pontualidades. A "Qualidade Total" nos trouxe a máxima: “Não culpe as pessoas, culpe o sistema”. Gosto muito dessa máxima e a vejo cair como uma roupa para o momento político.

Popularmente esse princípio diz que se ficarmos batendo nas pessoas pra que elas façam a coisa correta, elas o farão. Porém se paramos de cobrar ou se trocarmos as pessoas  o problema retornará uma vez que tudo foi baseado nas pessoas. A proposta é corrigir o sistema de forma a não permitir mais que as pessoas possam errar. Algo parecido com o “Porque o cachorro entra na igreja?”.

Considere os três poderes e pense o que você realmente quer mudar?

Reclamamos de corrupção e todos os dias ouço que nunca se roubou tanto nesse país. Eu desconheço alguma estatística sobre isso. Existe um "DataRoubo"? Rouba-se, hoje, mais do que quando os Portugueses saquearam as riquezas naturais do país? E me pergunto será que estamos realmente atacando a causa? Será que estamos fechando a porta da igreja ou será que estamos sendo manobrados por Adão e Eva ou pior ainda pela Serpente? 

No Brasil temos milhares de processos que demoram anos e anos para serem julgados por um judiciário lento e nem tanto honesto (veja caso Eike, você quer acabar com o juiz que anda de carro importado do réu, ou ainda com os "Lalaus" que ainda devem existir por traz das togas?). Más a resposta do judiciário é sempre a mesma, a lei (criada pelo legislativo) é complexa e não conseguimos novos juízes, pois o ensino (administrado pelo executivo) é ruim. Ou seja, o judiciário não tem culpa.

Se formos verificar porque ninguém faz nada pela saúde ou pela educação ficamos mais malucos ainda. Se a obrigação é do governo federal ele vai dizer que fez o repasse, se é do governo estadual vai dizer que a verba que recebe é pouca, se é do municipal piorou. Ou seja, a cadeia de arrecadação e distribuição faz com que o dinheiro ande, ande e suma no meio do caminho. Os governos não se fiscalizam e ainda repassam a responsabilidade a terceiros (Abastecimento de água, Telefonias, Transportes, etc.)  criando agencias ridículas que a única coisa que fazem é de vez em quando  multar uma empresa aqui outra ali. Pergunto: Você já recebeu algum valor dessas multas? Pra onde vai esse dinheiro? Aquele que é lesado fica vendo o governo/agencias arrecadar mais e continua chupando o dedo. Não era melhor deixar o judiciário cuidar disso?  O judiciário...

E assim vamos elegendo vereadores, deputados e senadores na esperança que esses criem mais leis para o bem do povo. Poxa mas já não temos um “mundarel”  de leis que o judiciário não consegue julgar? Pra que precisamos de legislativo? Pra fazer CPI? CPI para julgar? Mas julgar não era função do Judiciário? O que esse povo faz nas câmaras, assembleias e senado? Ficam definindo o próprio salário? Pô no mundo o salário é definido pelo mercado, e se o mercado é o povo porque não ganham baseado na mesma regra que nós?
E assim ficamos com um bando que fazem as leis pra dificultar o judiciário na avaliação do que o executivo faz. 
Ou seja, ou fechamos a porta ou então viveremos na rua fazendo manifestações a favor ou contra o que nem sabemos o que é.
Que tal fazer um Kaizen para tentar resolver onde atacar?
Eu já fiz o meu e tenho algumas propostas pra brigar nas próximas manifestações:

- Simplificação do judiciário
O Judiciário que condenou o mensalão é o mesmo que diz que o Maluf e o Collor não têm culpa. E se o Collor não teve culpa, porque o Legislativo o tirou do poder sem esperar pela conclusão do Judiciário? Porque foi tão rápido? Porque pessoas esperam a vida toda por uma resposta do judiciário que não vem?

- Arrecadação no município com repasse para o estado e para o governo federal.
Que o município arrecade os impostos, em um sistema simplificado, repassando ao Estado que faz o repasse ao Governo Federal. Que o Governo federal fiscalize os estados que fiscalizaram os municípios.
Quanto do seu imposto fica com o município, com o estado e com o governo federal? Você sabe? De quem deveremos cobrar? Vamos acabar com os repasses de cima pra baixo, esses devem existir apenas para que o governo cumpra com uma de suas obrigações primarias que é a distribuição de renda. 
Que os municípios sejam responsáveis por tudo que for de uso direto ao cidadão.  

- Atrelar cargos públicos ao salário mínimo.
Que o salário dos colaboradores e controladores dos três poderes seja definido em numero de salários mínimos. Dessa forma não seria necessário aprovar salário de ninguém bastava determinar o novo mínimo e estaria tudo resolvido.

- A pessoa não pode ser eleita mais de duas vezes seguidas. Um partido não pode ser eleito mais do que três vezes seguidas.
Se todo mundo reclama que o PT esta no poder a 16 anos, que o PSDB esta a muito mais no estado de SP, porque não limitar a reeleição de um determinado partido? Porque não proibir que uma pessoa que já governou  não governe por anos e anos seguidos? E o modelo seria aplicado a todos os níveis do Executivo, do Legislativo e também para o Judiciário. Ninguém mais seria eterno, nem partido nem político. 

-  Por um legislativo que simplifique a lei.
Que o legislativo deixe de fazer a função de outros poderes e passe a focar no principal, criar leis com mais simples e que não sejam recheadas de brechas jurídicas que arrastam processos por anos e anos. Por uma definição clara de quem legisla sobre o que, de quem é a responsabilidade? Do vereador? Do Deputado Estadual, federal? Senador?  Sobra tempo em todas as esferas mas não há tempo para as reformas e leis realmente necessárias. Vamos deixar de lado o dia do Corinthians e os nomes das praças e das ruas. Deixe a população escolher qual o nome quer para suas áreas. Vão-se os mandatos e nada é feito de importante e ficamos com um monte de lei aguardando uma lei complementar que nunca é votada. Vamos por esse povo pra trabalhar, e que sejam todos os dias da semana com uma carga mínima. E que se o numero de faltas seja maior que um mínimo estipulado esses possam ser despedidos por justa causa. Vamos definir um PLR para o político baseado na produtividade. 

- Por uma reforma política que acabe com as doações para campanha.
Porque as campanhas políticas não são iguais, realizadas com a mesma verba? De uma forma ou de outra pagamos a conta no final, então porque não assumimos o custo das campanhas? Se quiserem negociar, que negociem com a população.

Sei que minhas propostas parecem Utópicas, mas como já dissemos no passado em letra da Subtotal,  continuo otimista pelo prazer a utopia.

Dráusio